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Entrevista com Carolina Naltchadjian (Carol)

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Ela vem numa trajetória ascendente nas Competições de Frescobol – foi Campeã do Mundial CBRAF em Macaé em 2017 e recentemente sagrou-se Campeã do Rainha da Praia ABRAF 2017, Carolina Naltchadjian – a Carol – deixa seu recado para Portal e para os amantes do FRESCOBOL.
Confira abaixo a Entrevista !


(MAISFRESCOBOL)  1 Conte-nos quando você iniciou nas competições e como é a sua rotina semanal de treinos:

(CAROL) – Quem me apresentou o Frescobol de competição foram os jogadores da Praia Grande, de São Paulo. Eles já participavam dos torneios de Camburi, em São Sebastião. Quando eu fiquei sabendo, coloquei pilha neles para jogar um torneio. Meu parceiro era o Mirulão, da PG e ficamos em 3º lugar na mista amador. Foi uma experiência muito importante pra mim.

Treino com meus alunos! Ensinar a jogar me fez entender melhor o Frescobol, pois tenho que dominar o discurso, tenho que saber explicar de várias formas diferentes para me fazer entender. Além disso o instrutor de frescobol joga com o aluno 100% da aula, consertando bola para que a assimilação aconteça pela repetição, o que é um excelente treino. Ensinar fez com que eu desenvolvesse recursos que eu não tinha até então. Sou grata a todos eles por isso! Além deles, meu parceiro Mauricio Blackman tá sempre junto, sempre que possível. Duda Borges também contribui muito na estratégia de treinos e também em arena. Duas figuras fundamentais para os resultados obtidos este ano. Quando marcamos um, temos objetivos específicos, o que não configura um jogo, uma pelada. É treino mesmo.
(MAISFRESCOBOL)  – 2 – Conte qual foi até hoje o momento mais marcante para você no Frescobol:

à esquerda na foto o Companheiro Maurício Blackman, no centro o amigo de treinos Duda Borges

(CAROL) – O Frescobol faz parte da minha vida e ocupa um espaço imenso em mim. Minhas relações, meu lazer, meu trabalho, a parte intensa da minha vida é atravessada por ele. Ele fez com que eu conhecesse pessoas e lugares que eu não teria talvez tido experiências tão boas. Foi através dele que eu conheci o Mauricio Blackman, meu companheiro.
Vários então são os momentos marcantes. Pessoalmente, o maior foi quando conheci esse universo. Como atleta, cito 3: 1. Conquista do Mundial de Macaé na categoria Feminina com a atleta Cristina Santos; 2. Rainha do Frescobol 2017, pela Abraf e 3. 1º lugar na Mista com meu parceiro Blackman, na etapa Pepê e na Feminina com Cris; dobradinha de primeiros.

(MAISFRESCOBOL)3 – Vamos falar um pouco sobre a inclusão das Mulheres no esporte. O que você acha que está faltando para aumentar a participação feminina no frescobol em geral e principalmente nas competições?

(CAROL) – Historicamente a mulher sempre teve menos liberdade para exercer suas atividades. As conquistas com relação à igualdade de gênero aos poucos estão sendo assimiladas por toda a sociedade mas o processo é lento. Por isso vemos menos mulheres praticando esportes de maneira geral. Já fui mais revoltada com isso e entendi que é uma questão cultural, um problema estrutural que não vai acabar da noite para o dia e que não vai adiantar eu me irritar. Mas podemos todos nos empenhar em trazer a responsabilidade da inclusão da mulher pra si. Pra isso devemos repensar nossas ações, por exemplo, se nos locais onde costumamos nos reunir para praticar Frescobol (ou qualquer outra atividade), se estamos recebendo bem as meninas, se o ambiente é acolhedor, se aceita-se comentários machistas ou não, se tem assédio ou se quando ele existe, é inibido ou não, se existe ciúme de outras mulheres com as novatas, ou seja, devemos ter um cuidado maior e a inclusão como objetivo.
A menor participação das mulheres nas competições é consequência dessa falta de compreensão com a nossa condição histórica e também de cuidado das instituições. Os homens têm mais espaço, maior premiação, maior divulgação, maior investimento que nós. A justificativa dada e que eu não aceito, é a de que as mulheres não formam quórum suficiente para tamanho investimento na categoria. Também já escutei que somos menos competentes e que não atraímos público. A partir do momento que compara-se performances de categorias diferentes para autorizar a disparidade no tratamento dado a uma e a outra, fecha-se uma porta para o entendimento de que a equiparação é um DIREITO. Essa disparidade não é exclusividade do Frescobol, ela acontece em quase todos os esportes. Eu acredito que se queremos o aumento da quantidade de mulheres, devemos antes de tudo abrir o espaço e igualar o tratamento: primeiro abre-se o espaço para obter a criação de demanda depois. Nas competições, por exemplo, o valor das inscrições para as categorias são as mesmas, o gasto das viagens o mesmo, porém as mulheres jogam menos e recebem menos. Em qualquer etapa é possível conferir que apenas as equipes que têm homens se apresentam 2 x, enquanto nós na feminina, apenas a final, sem classificatória. Ainda os homens podem jogar a Master, chegando ao máximo de 5 apresentações na arena se tudo der certo, enquanto nós, apenas 3. Quando existia premiação, até ano passado, apenas as equipes com homens recebiam dinheiro. Até na hora da premiação, a entrega dos troféus para a masculina é feita por último, num gesto simbólico, mas que demonstra até aí a nossa falta de importância. Número de vagas na categoria também é restrito, as vezes insuficiente.

Todo esse cenário é desfavorável pra chegada de novas atletas. A gente entende que somos consideradas inferiores com tudo isso contribuindo para a desvalorização da categoria. Poucos se sensibilizam com o problema e a maioria faz pouco caso da questão, culpam a gente pela falta de ação, de atitude e eu acho que cada um carrega um tanto de culpa sim. A categoria Feminina é linda, com grandes representantes, que fazem jogos incríveis e de alto nível de sofisticação e com grande potencial. Mas não adianta todos concordarem com isso se as Associações e Federações institucionalizam essa disparidade. Deveria ser algo inaceitável, mas não é.

(MAISFRESCOBOL) – 4 – Você venceu competições no frescobol com o uso e sem uso de tecnologia. Na sua opinião, que formato de Torneio e regras considera ideal para as competições?

Campeã do Mundial CBRAF 2017 ao lado de CRIS (Bahia)

(CAROL) – Já discuti muito regra. A minha opinião é a de que a regra é, antes de tudo, uma ferramenta para avaliar o que é produzido em arena. A ação dela deve ser transparente, de maneira que não interfira nas apresentações para que os estilos sejam preservados. Essa ideia é inversa ao que acontece desde sempre, pois as regras todas foram construídas para exigir um tipo de jogo a ser jogado, determinando um estilo apenas, produzindo jogos iguais. E esse tipo de jogo a ser jogado em arena é um reflexo do que o autor da regra acredita ser o correto.
Então, independente da competição fazer ou não uso do radar, acredito que a regra e a formação da arbitragem, são questões a serem resolvidas antes, elas vêm em primeiro plano.

Mas eu adoro o radar, sou super a favor, principalmente porque ele informa para o público o que está acontecendo em uma arena. E isso é fundamental para o crescimento do esporte, já que ele torna mais fácil a explicação de como se mensura uma apresentação. Organiza, educa, entretém, avalia com precisão e competência. Jogar com ele então é maravilhoso, não quero outra coisa.  O radar chama o público.

O desafio, porém, é equalizar uma regra ao sistema do radar. Como essa tecnologia ainda é uma novidade para todos nós, estamos muito incomodados com ela, ainda temos muitas dúvidas, discussões. Eu não sei ao certo qual o peso ideal para cada jogada. Não sei se um jogo de força pode competir, num mesmo torneio, com um jogo de velocidade…. não sei mesmo. Pode ser que estejamos tentando colocar maratonistas e velocistas numa mesma prova, fazendo um paralelo com a corrida. Talvez seja o caso de se pensar em dividir por modalidade. Ou não. Temos que discutir bastante sobre isso, temos que testar, pois independente de eu preferir um sistema de medição ou outro, objetivo ou não, híbrido ou não, o radar é uma realidade que veio para ficar e teremos que lidar com ela, nos adaptar. Só acho que devemos ter cuidado para não excluir estilos e consequentemente, excelentes apresentações, violentando atletas a se apresentarem de um jeito que não o seu característico.

(MAISFRESCOBOL)  -5 – O que falta para o Frescobol alcançar um patamar mais elevado no universo esportivo?

Algumas ações pontuais contribuem para a mudança de patamar de um esporte. Posso listar, incerta dessa ordem de importância:
1. Investimento nos atletas. Isso inclui criação/ manutenção de espaços para a prática do Frescobol lazer, que é o berço dos jogadores. Clubes, Redes, Escolinhas de Frescobol são de fundamental importância, bem como patrocínio e mídia nesses espaços;
2. Eventos/ competições: a cada torneio saímos diferentes, melhores, com um novo objetivo e referência a alcançar. Campeonatos nos estimulam a buscar novas possibilidades, tem trocas, contatos, novidades, compartilhamentos. É um ambiente muito rico sempre. Mas sem mídia, sem patrocínio, os eventos se tornam apenas grandes confraternizações;
3. Tecnologia: Nos equipamentos ou na medição das apresentações, a tecnologia sempre muda algo de modo significativo;
4. Premiação em dinheiro: todos nós jogamos por amor hoje, mas só atrairemos competidores de todas as regiões se a contrapartida compensar também financeiramente. Premiação eleva a importância do esporte. Seria hipocrisia negar isso;
4. Unificação da Regra: não existe esporte sem regra. O Frescobol competição tem várias, mas cada uma ao gosto do freguês.

Agora tudo isso envolve GESTÃO. O Frescobol precisa de gestão urgente. Falta união também. E sobra aquela famosa guerra de egos que é o que nos afasta um dos outros, nos coloca sempre numa posição de disputa, por poder, para “ser” melhor. No Brasil, a ABRAF competentemente criou um movimento legal do Frescobol, mas que hoje boia à deriva, sem um objetivo claro. Uma produção excelente que pode ficar perdida no espaço se não cuidar logo.

Eu torço muito pelo Frescobol, para que ele cresça e seja reconhecido como esporte e não como um jogo, que é o que ele é hoje. Torço para que haja renovação, novos praticantes. Eu tenho muita esperança ainda e quero contribuir para esse crescimento. Parabéns, Kaká, pela iniciativa do Portal Mais Frescobol! Conte comigo sempre que precisar!